BLOG.LAP

Domingo, Abril 03, 2005:

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Onde o blogue é fechado, comentários são tecidos a respeito de seu ano e pouco de pôstes e resmungos diversos são jogados ao longo do texto.



Em todo encerramento há um pouco de desilusão. O do Blog.Lap não foge à regra.
Passei a integrar o time das pessoas que acham que as coisas precisam de razões razoavelmente fortes para serem feitas. E mesmo que as fortes razões não existam, que hajam pelo menos satisfações pessoais que justifiquem qualquer tipo de esforço voluntário.
As razões que me motivaram a criar um uébilogue, batizado com a originalíssima sigla do meu nome (LAP: Luiz A. Pereira), foram decorrentes de observação do meio.
Começavam a aparecer blogues que mesmo tratando de futilidades e vida pessoal, adicionavam um tempero à mistura, usando de maneira criativa e charmosa as ferramentas disponíveis pelas dezenas de serviços de postagem que surgiram. Alguns deles completavam a receita com (óh), algum conteúdo!
E num dos primeiros textos postados, não escondia que um dos meus objetivos era fazer algo remotamente parecido com o que faziam alguns blogueiros dos quais eu era/sou leitor assíduo. Como inspiração primária, parece correto citá-los aqui. Entre eles estavam o
Carta Aberta, do jornalista César Valente, que destila uma prosa ótima tanto ao falar de assuntos sérios como ao relatar o almoço com a família numa tarde de sábado (Porque hoje é sábado...). No outro extremo da escala estava o Blógui do NiER, que não tem uma prosa ótima nem textos gigantes falando de quadrinhos, mas trazia fotos bacanas do cara na balada, na faculdade, no boteco, do livro de arte que o sujeito queria comprar, etc. Nas mãos de outra pessoa, a idéia poderia resultar num narcisismo pedante besta. No meio termo estava o Poptopia, em cujos pôstes reconheci a voz irônica e sarcástica de um amigo.
Veja bem, era o auge da popularização da coisa. Foi quando começaram a realizar estudos acadêmicos sobre os diários pessoais na internet. Foi quando alguns saíram clamando que estava nascendo um novo jornalismo...
E em partes, as teorias não deixam de ter razão. O blogue pode ser uma ferramenta extraordinária de entretenimento e informação. Mas eu não acredito que eu tenha algo de relevante para expressar através dela. Eu não sou o Sérgio Davilla. Qual o propósito de eu escrever aqui uma resenha monstro sobre o Sin City se provavelmente uma pessoa que perde tempo lendo um pôste longo de um desconhecido, costuma ler jornais?
Eu poderia dizer que mais do que receber conteúdo passivamente da mídia comum, eu estaria produzindo conteúdo, expressando minhas próprias opniões baseadas em conceitos pessoais que gerassem um interesse especial em uma resenha escrita por mim, e não pelo Sérgio Davilla. Ôquei, isso poderia ser verdade. Mas sendo sincero... É? O que eu tenho de tão novo e interessante para contar e fazer valer a pena o esforço de leitura. Em boa parte das vezes, pouco.
Ou seja, houve uma primeira desilusão. Fato: Lap, você não tá fazendo diferença alguma... Schlapt na cara!
Mas pressupondo que ainda me interessasse fazer o papel de "Sergio Davilla que não é correspondente em Nova Iorque e não ganha salário"... Um mínimo de apuro estético e graça no texto eu deveria ter. E eu não tenho. Não precisa ter muito senso crítico pra saber que escrever um texto é mais do que espalhar alguns adjetivos característicos pelas linhas ("duca", "fodão"). Ao mesmo tempo, não queria parecer pedante e aborrecido escrevendo algo à moda da Bravo. Não estou dizendo que tenho habilidade para tanto, apenas que não queria esse modelo. Portanto, tentava ficar num meio termo. Escrever algo que eu gostaria de ler. Logo, tendo a mim mesmo como termômetro, me impus um padrão de qualidade difícil de alcançar.
Eu não estou dizendo que eu sou um fodão elitista difícil de agradar. O fato é que do século XVIII pra cá, nenhuma obra pode agradar ao próprio autor. Aos clássicos agradava, mas era porquê eles tinham os outros como padrão a ser seguido (copiado). Hoje, quem acaba um texto ou ilustração e diz que está plenamente satisfeito - sendo essa afirmação totalmente sincera -, deve ter chegado ao nirvana. Deve ter encontrado a sarça ardente. Escrever exige mais. Requere mais.
Mas também não tomo os escritos acima como verdades absolutas. Cada argumento resmunguento poderia ser rebatido com mais quatro ou cinco. São elaborações de uma insatisfação que dura já algum tempo. É uma paráfrase gigantesca para: "Perdi o tesão". Poderia ter encerrado o blogue com um pôste lacônico escrito assim: "Perdi o tesão".
Porém seria simplista e até grosseiro com a meia dúzia de leitores.
Neste ano e pouco, estes escritos refletiram meus altos e baixos, nascimento e morte de paixões, declarações, dores de cotovelo, reclamações, entusiasmos e acima de tudo, a formação de novas (e profundas) amizades. Só este último aspecto já bastaria para me garantir uma boa lembrança desses dias. Fecho o cadeado e guardo o diário no alto do armário empoeirado do blogger/globo, até que ele resolva sumir com o dito cujo. O Blogger que suma com isso. Eu mesmo deletar já seria radicalismo demais.
Um dia eu volto. Talvez, quem sabe, sei lá... Mas aqui, no more. Origado a todos que por alguma vez deixaram-se cair por aqui. Zé. Fi. Ni.
Luiz Pereira // 3:59 AM

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